Congregação Adhonai - Pr. José Luis Sá
segunda-feira, 23 de setembro de 2013
Da Série: O Que Todo Cristão deve Saber de Letra
África,
ou melhor, "berço da humanidade", palco dos maiores acontecimentos da
história, e logicamente da guerra entre Israel e Palestina que não
poderia jamais se dá em outro lugar do globo terrestre. Afinal, essa
região do oriente médio é "Terra Santa" e não por acaso, senão vejamos.
Em pleno século XXI, está cientificamente provado que o humanidade
surgiu do continente africano e se espalhou posteriormente.
Conflito de mais de três mil anos dos filhos de Abraão, infelizmente é visto de modo bastante simplista pelo Brasil e pela mídia em geral que não ganha absolutamente nada ao divulgar (sem patrocinador), até porque as propagandas de cerveja tomam um bom espaço da mídia brasileira. O cerne do conflito entre Israel e Palestina gira em torno da religião, sem dúvidas possui muitas facetas mais o principal é a fé em um único Deus. De um lado judeus descendentes de Isaac (gênesis 12) e do outro mulçumanos (gênesis 17) protagonizam uma verdadeira guerra pela concretização de uma promessa feita pelo seu antepassado e patriarca Abraão. O embate religioso desdobra-se pela disputa da Terra Prometida - acontece que foi prometida a mesma Terra para ambos os povos. Não restam dúvidas de que é necessário o entendimento da situação social, política, religiosa e econômica dessa batalha.
Na verdade esse conflito remota há cerca de 5000 anos atrás quando o Império do Egito (3.150 a.C) reinava no mundo teocrático conhecido e os atuais judeus foram escravizados e não possuíam terra alguma, passando boa parte do tempo como nômades no deserto, até a constituição de Israel como nação com o reinado de Saul, e posterior queda e divisão das tribos. Depois o Império Babilônico de Nabucodonosor (604 a.C. até 538 a.C.) que atacou o Reino de Israel do Sul (Judá) em 586 a.C. e destruiu Jerusalém, e o templo ‘de ouro’ que Salomão havia construído deportando os judeus para a Mesopotâmia - período conhecido como o início da primeira diáspora judaica. Mas esta dispersão se inicia antes, em 722 a.C., quando o reino de Israel ao norte é destruído pelos assírios e as dez tribos de Israel são levadas como cativas à Assíria e Judá passa a pagar altos impostos para evitar a invasão, o que não foi possível negociar com Nabucodonosor II. Depois veio o Império dos medos e dos persas (538 a.C. até 331 a.C.) que promulgaram um decreto de morte para aniquilar os judeus de suas 120 províncias; decreto este impedido pela Rainha Ester, passando pelo Império Grego/ Macedônico de Alexandre O Grande (331 a.C.até 168 a.C.) quando a Palestina e a Síria cairiam sob o controle de um dos generais de Alexandre, Ptolomeu, que formaria um reino independente no Egito. Até o Império Romano(168 a.C até 476 d.C.) que após a sua destruição a Europa ocidental foi dividida em 10 nações Bárbaras.
Voltando a Israel, mais recentemente no ano de 70 depois de Jesus Cristo os judeus foram expulsos do seu território (segunda Diáspora) e somente retornam em 1948 com a criação do Estado de Israel. A não tão recente "diáspora judaica" provocou diversas expulsões forçadas dos judeus pelo mundo e a consequente formação das comunidades judaicas fora do que hoje é conhecido como Israel, partes do Líbano e Jordânia por dois mil anos. A diáspora terminou em 1948, com a tomada da Palestina, o que criou o Moderno Estado de Israel alicerçado pelos atuais esforços do Movimento Sionista (Sionismo) que defende o direito à autodeterminação do povo judeu e à existência de um Estado nacional judaico independente e soberano no território onde historicamente existiu o antigo Reino de Israel. Estima-se que 6 milhões de judeus foram exterminados nos campos de concentração durante a Segunda Guerra Mundial. Em 1996 estimou-se que haja 9,5 milhões de judeus vivendo em Israel, cerca de 7,5 milhões nos Estados Unidos, 900.000 na França, 700.000 no Reino Unido, 400.000 na Argentina, 124.000 no Brasil, e 100.000 no Chile.
Muito
depois de todos esses acontecimentos, na Arábia, península de 3 milhões
Km², também chamada "a ilha dos árabes", o que denota o seu carácter
isolado, separada da África e da Ásia pelo mar, nasce o Islã. É uma
região inóspita marcada pela presença do deserto, onde a água é um bem
raro. Dos árabes ou da Arábia derivou-se o Islamismo religião abraâmica
monoteísta com sua fé revelada por Abraão, Moisés e Jesus, e o último
profeta Maomé. Antes do advento do islão, os árabes não formavam uma
unidade política coerente. Do ponto de vista religioso, a Arábia era a
terra do politeísmo, mas também viviam nela comunidades monoteístas.
Tribos judaicas, talvez chegadas à península Arábica após a destruição
do Segundo Templo em 70, formavam comunidades que habitavam os locais de
Fardak e Yathrib, nome pré-islâmico da cidade de Medina. Países
como Marrocos, Argélia, Tunísia e Líbia abrigavam ainda importantes
comunidades judaicas, que, com a fundação de Israel, saíram da região.
Há
registros do historiador Heródoto por volta de 450 a.C. é em seus
escritos que encontramos pela primeira vez o nome Síria Palaestina
(Síria Filistina) mais uma alusão a Síria do que propriamente dita aos
mulçumanos da Palestina. Sabe-se quase nada sobre a Palestina durante o
período selêucida até ao reinado de Antíoco IV Epifânio (175 a.C.164
a.C.).
Nos
inícios do século VII a Arábia posiciona-se em torno de dois impérios
que se defrontam. A oeste, Bizâncio, cristã e herdeira de Roma, dominava
o norte de África, a Palestina, a Síria, a Anatólia, a Grécia e o Sul
da Itália. A Leste, o Império Persa Sassânida ocupa uma área que
corresponde aos actuais Iraque e Irão e tinha como religião oficial o
zoroastrismo, mas nele também viviam cristãos, judeus e maniqueus. A
oeste da Arábia situava-se a Abissínia, que professava o cristianismo
copta. O profeta Maomé faleceu em 632 d.C. sem deixar claro quem deveria
ser o seu sucessor na liderança da comunidade muçulmana (a Umma).
Ocorre que enquanto os judeus estiveram dispersos mundo afora a
Palestina islâmica tomou conta de grandes pedaços de terra que
originalmente pertenciam aos judeus gerando esse conflito sem fim entre
judeus e a segunda religião com maior número de fiéis, atrás apenas do
cristianismo, segundo o CIA World Factbook.
Não se esqueçam de que o Cristianismo é uma evolução e continuidade da história dos judeus, Jesus veio para os Judeus (muito não o aceitaram e ainda aguardam um Salvador) e começou a se espalhar inicialmente a partir de Jerusalém, e depois em todo o Oriente Médio, acabando por se tornar a religião oficial da Armênia em 301, da Etiópia em 325, da Geórgia em 337, e depois a Igreja estatal do Império Romano em 380.
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